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Quantas questões por dia para a prova de residência?

Quantas questões por dia para a prova de residência? Não existe um número que sirva para todo mundo: um número pronto ignora o seu calendário. A conta sai de duas coisas suas, quantos dias faltam até a prova e quanto sobra do dia depois de corrigir cada questão, porque a unidade da meta é a questão corrigida, que leva mais tempo do que só responder. O número certo é o que você corrige inteiro e consegue repetir amanhã, inclusive no dia cansado, já que a meta que só cabe no dia bom costuma transformar os dias comuns em zero.

Por Equipe Medlibri. Atualizado em

A pergunta costuma chegar no fim do dia, com o aplicativo aberto e um número na tela: fiz sessenta hoje, foi pouco? A colega fez mais, o grupo da turma fala em números que você não alcança, e a dúvida vai parar na busca: quantas questões por dia para a prova de residência.

Só que o número que serve para você sai de duas contas suas: quantos dias faltam até a prova, e quanto do dia sobra depois que você corrige o que respondeu.

Como achar o seu número de questões por dia

O que você precisa cobrir do banco de questões, dividido pelos dias que faltam, dá um ritmo, que é o começo da resposta. Quem está a um ano da prova e quem está a dois meses não têm o mesmo número.

A segunda conta costuma ficar de fora, embora seja a que puxa o número para baixo. Corrigir uma questão até saber o que faltou, e em qual tema, leva mais tempo do que responder, só que a contagem do dia não separa a questão corrigida da apenas conferida. A unidade da meta é a questão corrigida: o número do dia é o que você consegue corrigir por inteiro.

Para achar o seu, num dia comum, responda dez questões e corrija cada uma por inteiro, cronometrando; o tempo livre desse dia, dividido pelo tempo médio de uma corrigida, dá o número do dia comum. O do dia ruim sai da mesma conta, feita sobre o pior dia de uma semana típica, o de internato até a noite. Se o número do dia comum, somado até a prova, não alcança o que você quer cobrir, a conta pede mais dias de estudo na semana ou um recorte menor antes de pedir um dia maior.

Por que a meta do dia bom zera a semana

A semana começa bem. Segunda-feira, oitenta questões, metade sem correção. Terça, sessenta, e a sensação de que o cronograma finalmente pegou. Quarta é dia de internato até a noite, o número que cabia era quinze, só que quinze parece tão pouco perto de oitenta que você nem abre o banco. Quinta e sexta vêm com a culpa de quarta, e a conta fecha em zero de novo. No sábado, a conta da semana: cento e quarenta questões, três dias em branco. A leitura que você faz de si mesma é a de sempre: falta disciplina.

Se só a versão grande do estudo vale como dia estudado, o dia apertado fecha em zero. Esse zero sai de uma régua de um tamanho só, a meta calibrada para o seu melhor dia numa semana que tem mais dias comuns do que melhores.

O zero pode custar mais do que as questões que deixaram de acontecer. Uma meta-análise publicada em 2018 na Learning and Individual Differences reuniu onze estudos longitudinais, com 2.688 estudantes, crianças e adultos, sobre desempenho acadêmico e confiança de conseguir. O caminho do desempenho para a confiança seguinte foi quase três vezes mais forte do que o inverso; como o desenho é longitudinal, isso indica direção, sem provar causa. Na sua semana, isso sugere que o resultado que você vê, mesmo pequeno, alimenta a confiança. O estudo mediu notas em dois momentos, não dias de estudo, então ligar a quarta perdida à quinta é uma leitura nossa.

Por que, cansada, você escolhe o estudo que menos ensina

O cansaço escolhe qual vontade derrubar. Num estudo publicado em 2022 na Nature and Science of Sleep, os mesmos 24 adultos jovens saudáveis passaram, no laboratório, por três noites seguidas com só três horas na cama e, em outra temporada, por noites com nove horas na cama. Com o sono restrito, caiu a disposição de gastar esforço mental em troca de recompensa, enquanto a de gastar esforço físico ficou de pé. O grupo é pequeno e as tarefas eram curtas (vigiar letras na tela, apertar um dinamômetro por dez segundos), então o achado vale pela direção: depois de noites mal dormidas, a tarefa que pede atenção sustentada tende a ser a primeira que a cabeça recusa, e corrigir uma questão é desse tipo.

A escolha erra por um segundo motivo. Em 2019, pesquisadores de Harvard publicaram na PNAS um experimento com 149 universitários de física introdutória, sorteados em duas turmas que, em duas aulas seguidas com o mesmo material, alternaram aula expositiva e aula ativa. Na sala ativa, aprenderam mais, mas sentiram que tinham aprendido menos, em parte porque leram o esforço maior como sinal de aprender pouco, em parte porque a aula expositiva fluente parece ensinar mais. Cansada, a cabeça acha caro o esforço mental; descansada, ainda desconfia dele. A sessão de corrigir questões, que é a que ensina, parece a que deu errado, enquanto as oitenta conferidas no gabarito parecem o dia produtivo.

Por isso a cultura de exaustão seduz, além de oprimir: quando você senta acabada, ela ainda escolhe o método por você, o barato, o que fecha a contagem do dia.

O estudo que fundou a ideia de prática deliberada, publicado na Psychological Review em 1993 com estudantes de violino de Berlim, descreve outra cena: os violinistas dos dois grupos de nível mais alto dormiam mais que os colegas de comparação, cochilavam por semana cerca de três vezes o que cochilavam os colegas da formação de professores de música, e o treino solitário deles somava perto de três horas e meia diárias, repartidas em mais de uma sessão. São músicos, numa comparação descritiva, mas o retrato é o avesso do que a cultura de exaustão pinta de quem chega ao topo.

Qual é a versão que cabe no dia ruim, e qual não é

Se o problema é a régua, a saída é ter duas, decididas antes: o número do dia bom e o do dia ruim, os dois contando como estudo feito. A versão menor encolhe na dose e na decisão, mantendo o tipo de estudo. A tentação é começar pelas fáceis para ganhar confiança, só que aí a previsão sobre si mesma costuma falhar. Seis experimentos e um suplementar, de 2020, no Journal of Experimental Social Psychology, com 2.013 adultos recrutados pela internet e universitários, compararam duas ordens de uma mesma lista de tarefas: as pessoas preferiam começar pelo fácil, mas, com analogias e formação de palavras, quem subiu do fácil para o difícil terminou com menos confiança do que quem fez a ordem inversa; ao preencher uma candidatura de emprego, a ordem não fez diferença.

A versão pequena usa a mesma questão de sempre, do mesmo banco de questões, com a mesma correção, em dose menor: cinco corrigidas por inteiro contam como dia estudado. O tipo que parece leve, a lista fácil e a releitura do resumo, é o que a cabeça cansada escolhe; uma revisão de 2013 sobre técnicas de estudo, com estudos que iam da escola à universidade, pôs a releitura e o resumo entre as de utilidade baixa, e a prática de teste entre as de utilidade alta. Sai do dia cansado a organização que não ensina: o cronograma refeito pela terceira vez, a tabela de cores, o resumo bonito. Fica a recuperação, que é o que a prova cobra.

No dia ruim, a dose pequena disputa com a página fechada, e não com a sessão grande.

A outra metade é decidir antes. Uma meta-análise de 2006 na Advances in Experimental Social Psychology reuniu 94 testes, com mais de oito mil participantes, a maioria universitários, e metas que iam da saúde ao estudo, sobre a intenção formulada como se acontecer isto, então faço aquilo. O efeito sobre cumprir a meta foi de médio a grande, e apareceu tanto para começar a tarefa quanto para mantê-la de pé diante de distrações. Na sua mesa: se o internato acabar às oito, então são as cinco questões, corrigidas, e pronto. A decisão tomada de véspera prende a ação a uma situação e depende menos da vontade, que às dez da noite pode não aparecer.

Onde a meta do dia já vem calculada

Uma folha com dois números na primeira página do caderno resolve. O que a ferramenta tira do caminho é a conta repetida: a Medlibri calcula uma meta diária pelos dias que faltam até a sua prova. A resolução fecha com a pergunta do que faltou, o passo que torna a correção inteira, e o que você errou volta sozinho pela revisão espaçada.

Sem conta, são cinco questões por dia, com a resolução de cada uma ao responder, que é o tamanho da versão do dia ruim; na conta gratuita, quinze; no plano pago, sem teto.

A quarta-feira em branco de quem vive no 8 ou 80 costuma ser lida como falta de esforço, ou de caráter, quando o que faltou foi técnica: uma régua com dois tamanhos no lugar da régua de um só. Régua se troca, e a troca cabe numa decisão de hoje à noite: escolha o número do seu dia ruim, pequeno na dose e inteiro na correção, e deixe que ele conte como estudo.

Referências

  1. Talsma K, Schüz B, Schwarzer R e Norris K, Learning and Individual Differences, 2018, volume 61, páginas 136 a 150.
  2. Jurgelis M, Boardman JM, Coxon JP, Drummond SPA e Chong TTJ, Nature and Science of Sleep, 2022, volume 14, páginas 2001 a 2012.
  3. Deslauriers L, McCarty LS, Miller K, Callaghan K e Kestin G, PNAS, 2019, volume 116, número 39, páginas 19251 a 19257.
  4. Ericsson KA, Krampe RT e Tesch-Römer C, Psychological Review, 1993, volume 100, número 3, páginas 363 a 406.
  5. Habbert R e Schroeder J, Journal of Experimental Social Psychology, 2020, volume 91, artigo 104032.
  6. Gollwitzer PM e Sheeran P, Advances in Experimental Social Psychology, 2006, volume 38, páginas 69 a 119.
  7. Dunlosky J, Rawson KA, Marsh EJ, Nathan MJ e Willingham DT, Psychological Science in the Public Interest, 2013, volume 14, número 1, páginas 4 a 58.

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