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Como estudar para a residência ainda no ciclo clínico

Por Equipe MedlibriAtualizado em 6 min de leitura

Retrato fotográfico de William Osler, de terno, olhando para o lado.
William Osler, que levou o estudante do anfiteatro para a beira do leito, por volta de 1912. Wellcome Collection, CC BY 4.0, imagem reduzida.

No ciclo clínico, um jeito de estudar pensando na prova de residência que cabe na rotina é um hábito pequeno preso à aula: depois de cada aula, responder algumas questões de prova sobre o tema que acabou de ver, de livro fechado, e corrigir cada uma. Ao estudar uma doença, perguntar por que cada achado aparece, em vez de decorar a lista. E deixar o que você errou voltar mais espaçado do que parece natural, porque com a prova a anos de distância o intervalo que rende é mais longo. Cinco a dez questões por dia, como sugere a fundadora da Medlibri, já criam o hábito; o volume cresce no internato.

O terceiro ano costuma chegar com duas sensações ao mesmo tempo. A primeira é a de que a residência ainda está longe. A segunda aparece no corredor, quando alguém da turma comenta que já começou a fazer questões, e a distância encurta de repente.

Este texto responde o que fazer com essa fase: o que estudar depois da aula, como estudar uma doença para lembrar dela no internato, e quanto revisar quando a prova está a anos de distância.

Por que começar no ciclo clínico, e não no internato?

Porque é a fase em que você tem aula, quase todo dia, sobre os temas que a prova cobra, e ainda tem horas livres na semana. No internato, o plantão come o tempo; no ciclo clínico, a aula entrega o tema pronto para virar questão no mesmo dia.

Débora Zum, fundadora da Medlibri e estudante do quarto ano de medicina, resumiu o conselho que dá a quem está no terceiro ou no quarto ano no primeiro episódio do podcast da Medlibri: "comece o quanto antes a estudar, mas não comece o quanto antes a ficar noiado". O que ela propõe é manter um ritmo desde que o ciclo clínico começa: mesmo numa faculdade de aula expositiva, fazer algumas questões depois da aula, se familiarizar com o jeito da prova, descobrir o que você sabe e o que não sabe, e criar os próprios flashcards. Cinco ou dez questões por dia, segundo ela, já mudam como você chega ao internato.

No mesmo episódio, Marcello Reicher, professor da Unifesp e conselheiro da Medlibri, contou que tinha cerca de 25 matérias por trimestre no quarto ano, e disse que, se fosse aluno do terceiro ou do quarto ano hoje, investiria o tempo livre nesse hábito.

O que fazer depois da aula para a matéria ficar?

Feche o material e tente responder. A releitura do slide e o resumo copiado do livro dão a sensação de estudo feito, só que rendem pouco. Uma revisão de 2013 que avaliou dez técnicas de estudo pôs reler, grifar e resumir na faixa de utilidade baixa, enquanto a prática de teste e a prática distribuída ficaram na de utilidade alta.

O experimento que compara fechar o texto com organizar a matéria à vista saiu na Science em 2011. Foram 80 universitários da Purdue, divididos em quatro grupos, que estudaram um texto de ciência. Dois deles tiveram o mesmo tempo de aprendizagem: um montou um mapa de conceitos com o texto à vista; o outro leu, fechou o texto, escreveu de memória o que tinha ficado, releu uma vez e escreveu de novo. Uma semana depois, quem escreveu de memória acertou 67% num teste de resposta curta, contra 45% de quem fez o mapa. Os próprios autores ressalvam que um mapa feito de memória, sem o texto à vista, também vira recuperação.

Na prática do ciclo clínico, fechar o material vira uma rotina curta. Saiu da aula de insuficiência cardíaca, responda cinco questões de prova de residência sobre insuficiência cardíaca, sem abrir o slide. Depois corrija cada uma: por que a certa está certa, por que cada errada está errada, e o que faltou. A questão de prova tem uma vantagem a mais nessa fase: ela mostra, desde cedo, como a banca pergunta o tema que você acabou de ver.

Como estudar uma doença para lembrar dela no internato?

Pergunte por que cada achado aparece. A lista de sinais, sintomas e conduta decorada sem o mecanismo rende menos no diagnóstico, logo depois da aula e uma semana depois.

Num estudo de 2016, 43 estudantes de massoterapia de uma faculdade de Toronto aprenderam quatro doenças reais da mão e do antebraço, como a síndrome do túnel do carpo. Um grupo aprendeu os achados clínicos junto com o mecanismo anatômico de cada um; o outro aprendeu os achados com epidemiologia e tratamento no lugar do mecanismo. No diagnóstico de casos, o grupo do mecanismo acertou 73% contra 58% logo depois, e 65% contra 46% uma semana depois. A população não é de medicina, então o número fica lá; a direção, a de que o porquê segura o achado, é a que interessa a quem estuda clínica.

Ouvir o raciocínio de quem já sabe, e trabalhar em cima dele, também ajuda. Num ensaio canadense publicado em 2015, 54 estudantes do terceiro ano de medicina resolveram casos clínicos explicando o próprio raciocínio. Depois, um grupo ouviu residentes explicando o raciocínio deles, com perguntas-guia; outro ouviu os mesmos exemplos sem as perguntas; e o terceiro fez palavras cruzadas. Uma semana depois, diante de casos diferentes dos treinados, o grupo dos exemplos com perguntas diagnosticou melhor do que o das palavras cruzadas. A prova de residência também traz casos diferentes dos que você treinou.

Quanto revisar, se a prova ainda está a anos de distância?

Com a prova longe, a revisão pode ser mais espaçada. Num estudo de 2008 com 1.354 adultos aprendendo fatos de curiosidade, o melhor intervalo entre o primeiro estudo e a revisão, para um teste a um ano dessa revisão, foi de cerca de três semanas. O material não era de medicina, então vale como direção: quanto mais longe o teste, mais longo o intervalo que rende.

Com estudantes de medicina, há um ensaio em urologia. Num programa de revisão espaçada por e-mail com 115 alunos do terceiro ano de duas escolas americanas, já no ano dos estágios clínicos, o aprendizado subiu nos dois pares de temas estudados; cerca de nove meses depois, a retenção foi maior que a do controle em câncer de próstata e PSA, mas não em hiperplasia prostática benigna e disfunção erétil. A mesma técnica teve resultado diferente conforme o tema, o que sugere conferir o desempenho tema por tema.

Na rotina, a questão que você errou volta pela revisão espaçada, e o flashcard escrito a partir dela também. No primeiro episódio do podcast da Medlibri, Débora Zum conta que o flashcard de outra pessoa sempre lhe causava estranhamento, mesmo quando era de colegas que tinham visto a mesma aula. Para ela, escrever o próprio cartão obriga a pensar no que você vai precisar saber depois.

Quanto tempo por dia isso pede no ciclo clínico?

Pouco, mas todo dia. Cinco a dez questões corrigidas cabem em menos de meia hora, inclusive na semana de prova da faculdade, porque o tema da questão pode ser o mesmo da prova da semana. Nessa fase, o que se constrói é o hábito diário; o número cresce depois, no internato, quando a prova estiver perto.

Na Medlibri, dá para fazer isso sem pagar: cinco questões por dia sem conta, com a busca por tema para achar as questões da aula que você acabou de ter, e quinze por dia na conta gratuita, em que a questão errada volta sozinha pela revisão espaçada.

Para começar, escolha a próxima aula da semana e reserve vinte minutos depois dela: cinco questões do tema, de livro fechado, cada uma corrigida até você saber o que faltou.

Perguntas frequentes

Vale a pena começar a estudar para a residência no terceiro ano?

Vale, desde que comece pequeno: cinco a dez questões por dia, presas à aula que você acabou de ter, como sugere a fundadora da Medlibri. No ciclo clínico, você tem aula, quase todo dia, sobre os temas que a prova cobra e ainda tem horas livres na semana, o que some no internato. Nessa fase, o que se constrói é o hábito diário; o volume cresce depois.

O que fazer depois da aula da faculdade para não esquecer a matéria?

Feche o material e responda algumas questões de prova sobre o tema da aula, corrigindo cada uma até saber o que faltou. Num experimento publicado na Science em 2011, com 80 universitários da Purdue, quem escreveu de memória o que tinha ficado acertou 67% uma semana depois, contra 45% de quem montou um mapa de conceitos com o texto à vista.

Como estudar uma doença no ciclo clínico?

Estude o porquê de cada achado, e não só a lista de sinais e conduta. Num estudo de 2016 com 43 estudantes de massoterapia, quem aprendeu os achados junto com o mecanismo acertou 65% dos diagnósticos uma semana depois, contra 46% de quem aprendeu sem o mecanismo. A população não é de medicina, então vale a direção: o porquê segura o achado na memória.

Revisão espaçada funciona para estudante de medicina?

Num ensaio com 115 estudantes do terceiro ano de medicina de duas escolas americanas, já no ano dos estágios clínicos, a revisão espaçada por e-mail fez o aprendizado subir nos dois pares de temas de urologia. Cerca de nove meses depois, a retenção foi maior que a do controle em câncer de próstata e PSA, mas não em hiperplasia prostática benigna e disfunção erétil.

Referências

  1. Dunlosky J, Rawson KA, Marsh EJ, Nathan MJ e Willingham DT, Psychological Science in the Public Interest, 2013, volume 14, número 1, páginas 4 a 58.
  2. Karpicke JD e Blunt JR, Science, 2011, volume 331, número 6018, páginas 772 a 775, experimento 1, com 80 universitários da Purdue University.
  3. Lisk K, Agur AMR e Woods NN, Perspectives on Medical Education, 2016, volume 5, número 3, páginas 147 a 153, com 43 estudantes de massoterapia do Humber College, Toronto.
  4. Chamberland M e colaboradores, Medical Education, 2015, volume 49, número 2, páginas 193 a 202, com 54 estudantes do terceiro ano de medicina da Université de Sherbrooke, Canadá.
  5. Cepeda NJ, Vul E, Rohrer D, Wixted JT e Pashler H, Psychological Science, 2008, volume 19, número 11, páginas 1095 a 1102, com 1.354 adultos de um painel de memória pela internet.
  6. Kerfoot BP e Brotschi E, American Journal of Surgery, 2009, volume 197, número 1, páginas 89 a 95, ensaio de educação espaçada em urologia com 115 estudantes de medicina do terceiro ano em duas escolas americanas.

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