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Banco de questões de residência médica grátis: como usar

Um banco de questões de residência médica grátis vale o seu tempo quando a questão respondida volta corrigida, de preferência com a resolução de cada alternativa, porque a múltipla escolha sem correção nenhuma pode gravar a alternativa errada que você marcou. O limite diário, que é o que o gratuito costuma impor, pesa menos do que parece: os estudos citados aqui mostram que lembrar de memória e ver a correção depois ensinam, e as duas coisas cabem em poucas questões por dia. Na Medlibri, dá para responder cinco questões por dia sem criar conta, com a resolução de cada uma, e quinze por dia com conta gratuita. O plano pago tira o teto.

Por Equipe Medlibri. Atualizado em

A busca por banco de questões de residência médica grátis costuma acontecer numa hora específica: a prova já tem data, o cronograma já tem furo, e a conta de quanto vai custar estudar ainda não fechou. Você abre a primeira página que aparece, encontra uma lista de questões por banca, responde três e começa a desconfiar. O que esta página não está me mostrando? Onde é que a cobrança entra?

A desconfiança está certa, só que costuma mirar o lugar errado. O que separa um banco gratuito que ensina de um que só ocupa a tarde está na tela que aparece depois que você marca a alternativa, muito mais do que no tamanho do acervo ou no plano que ele vai oferecer em seguida.

O que perguntar a um banco de questões grátis antes de confiar nele

Comece por uma pergunta ao banco gratuito: a questão respondida vem com a resolução? Com a explicação de por que a certa é a certa, e de por que cada uma das outras não serve?

Num experimento publicado em 2008 na Memory and Cognition, Butler e Roediger deram a 72 universitários de psicologia da Washington University, em St. Louis, textos curtos de história e depois uma prova de múltipla escolha. Sem correção nenhuma, parte deles repetiu a alternativa errada que tinha marcado numa prova de completar, uma semana depois. Ver a resposta certa, logo após cada questão ou ao fim da prova, baixou esse efeito ao nível de quem nem tinha feito a prova. A população era universitária e o conteúdo era de história, então o que se leva é a direção: banco que não mostra nem o gabarito pode estar te ensinando o erro.

A letra certa resolve esse primeiro problema, e foi só ela que o estudo testou. Ela diz qual é a certa sem dizer por que a sua estava errada, e é esse porquê, a nosso ver, que ajuda a reconhecer a mesma armadilha na próxima questão.

Então, antes de olhar quantas questões o banco tem, olhe três coisas.

  • A resolução aparece para quem responde, com cada alternativa explicada, ou só a letra do gabarito?
  • As questões vêm de prova real, com banca e ano, para você treinar o formato que a sua prova usa?
  • O que você errou fica guardado em algum lugar, ou some quando a página fecha?

Se o banco passa nas três, o limite diário dele começa a trabalhar a seu favor.

Por que o limite diário pesa menos do que parece

A primeira reação ao limite é fazer a conta: cinco por dia é pouco, quinze por dia é pouco, para a prova eu preciso de milhares. A conta supõe que a questão serve para medir o que você já sabe, e por isso mais questões valeriam mais. É nesse ponto que a literatura discorda da intuição de quase todo mundo.

Em 2009, Karpicke, Butler e Roediger perguntaram a 177 universitários da Washington University em St. Louis, um grupo de nota alta, como eles estudavam por conta própria. A releitura dominou: 84% a listaram entre as suas estratégias, 55% a puseram em primeiro lugar. Testar a si mesmo apareceu em 11% das listas. O porquê disse mais do que a proporção. Numa pergunta de escolha forçada, respondida por 101 deles, com três saídas (reler, tentar lembrar sem reabrir o capítulo ou outra técnica), 57% ficaram com a releitura e só 18% com o teste. Pouco mais da metade de quem escolheu o teste queria saber em que pé estava; a razão de que lembrar, por si, já ensina apareceu em só 8% dos que responderam.

Os 8% se definiam por saber por que a questão ensina, e agora você também sabe. Com quinze questões no dia, medir o dia rende pouco; o que sobra é usar a questão para o que ela faz melhor, que é obrigar a cabeça a recuperar um conhecimento sem a página na frente. Um ensaio randomizado publicado em 2009 na Medical Education, com 40 residentes de pediatria e de emergência ligados à Washington University, mediu esse uso: um grupo se testou repetidas vezes sobre um conteúdo, o outro reestudou o mesmo material. Seis meses depois, quem se testou pontuou 39%, contra 26% de quem reestudou, com tamanho de efeito grande.

Repare no que isso faz com a conta de antes: o exercício que ainda aparecia na nota seis meses depois era responder de memória, em questões abertas, três vezes sobre o mesmo tema, com cerca de duas semanas entre uma e outra e a folha de respostas conferida ao fim de cada rodada. Não era múltipla escolha; o que o estudo mostra é que poucas rodadas de lembrar, espaçadas e corrigidas, já deixaram marca seis meses depois. O que fazer nos minutos seguintes à resposta, a correção, está no texto da casa sobre como corrigir questões; aqui interessa que o teto devolve esses minutos para você.

O que fazer com cinco questões por dia para elas renderem

Primeiro, não amontoe as recuperações do mesmo assunto. Karpicke e Roediger, em 2007, testaram 48 universitários da mesma Washington University em pares de vocabulário, numa só sessão: ora três vezes seguidas, ora com um a nove outros itens entre um teste e o seguinte, coisa de segundos a pouco mais de um minuto. Quem fez as recuperações coladas marcou 47% dez minutos depois e 20% dois dias depois, um pouco abaixo até de quem fez um único teste. Qualquer espaçamento ganhou de nenhum. Era vocabulário, com universitários e intervalos de segundos, então o que se leva é a direção: mesmo dentro de uma sessão, o mesmo assunto recuperado com intervalo rende mais que recuperado três vezes seguidas.

O teto ajuda porque impede o domingo de duzentas questões, só que ele espaça questões novas. Para o que você errou hoje voltar em outro dia, alguém precisa marcar essa volta, você ou um agendamento de revisão. Como espaçar essa volta até a data da prova é assunto do texto da casa sobre cronograma de repetição espaçada.

Segundo, marque o erro em que você tinha certeza: corrigido, ele se fixa melhor do que o erro cometido na dúvida, só que passada uma semana começa a voltar, e por isso merece uma data marcada para reaparecer. O achado original é de Butterfield e Metcalfe, em 2001, com perguntas de conhecimento geral; o prazo de uma semana veio de Butler, Fazio e Marsh, em 2011, com 50 universitários da Duke University respondendo perguntas de ciências. Os dois estão contados no texto da casa sobre caderno de erros.

Terceiro, aprenda a ler o próprio teto, porque ele muda de papel com o tempo. Ele está ajudando enquanto a correção ocupa o tempo que você tem: se o dia acaba antes de você terminar de escrever o que faltou nas questões que respondeu, quem segura o ritmo é a correção, e mais questões só aumentariam a pilha de erros sem nome. Ele vira gargalo quando você corrige todas até o fim, sabe nomear o que faltou em cada erro, mas ainda sobra tempo no dia e assunto pedindo questão, semana após semana.

O que a Medlibri abre sem conta, e o que o plano pago acrescenta

A Medlibri foi montada em cima desse raciocínio, e por isso o gratuito dela começa pela resolução. Sem criar conta, dá para responder cinco questões por dia, de provas reais, por banca e ano, e cada uma que você responde abre a resolução comentada, com a análise de cada alternativa. Com conta gratuita, o teto sobe para quinze por dia, e cada erro pode abrir uma entrada no caderno de erros, onde a pergunta é o que te faltou para acertar; o que você escreve ali volta pelo mesmo agendamento de revisão espaçada que cuida dos flashcards, inclusive dos que você mesma escreve.

O plano pago serve a quem quer cumprir sem teto a meta diária, que a plataforma calcula pelos dias até a sua prova e que, mesmo no mínimo, passa das quinze do gratuito. Quando o teto virar gargalo, do jeito descrito na seção anterior, é o sinal para pensar nele. Até lá, quinze corrigidas até o fim já fazem o que este texto descreve.

Se você chegou aqui procurando onde estudar sem pagar, a resposta curta é: em qualquer banco que mostre a resolução depois da resposta, com poucas questões por dia, desde que corrigidas até o fim.

Quem estuda com o gratuito, mas sente que não rende, costuma estar usando a questão como termômetro, por hábito. É um problema de técnica, não de esforço. Na próxima questão que responder, corrija até saber o que te faltou antes de passar à seguinte.

Referências

  1. Butler AC e Roediger HL, Memory and Cognition, 2008, volume 36, número 3, páginas 604 a 616.
  2. Karpicke JD, Butler AC e Roediger HL, Memory, 2009, volume 17, número 4, páginas 471 a 479.
  3. Larsen DP, Butler AC e Roediger HL, Medical Education, 2009, volume 43, número 12, páginas 1174 a 1181.
  4. Karpicke JD e Roediger HL, Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 2007, volume 33, número 4, páginas 704 a 719.
  5. Butterfield B e Metcalfe J, Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 2001, volume 27, número 6, páginas 1491 a 1494.
  6. Butler AC, Fazio LK e Marsh EJ, Psychonomic Bulletin and Review, 2011, volume 18, número 6, páginas 1238 a 1244.

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